Split payment em 2027: o que muda no caixa de quem fabrica móveis

A reforma tributária muda como o imposto é recolhido. A partir de 2027, o tributo sai da transação no momento do pagamento. Para a fábrica que vende a prazo e produz com ciclo longo, o impacto no capital de giro é concreto.
O que é o split payment
Hoje, quando um cliente paga por uma compra, o dinheiro cai inteiro na conta da empresa e os impostos só são recolhidos para o governo depois, geralmente no mês seguinte. Com o split payment, isso muda: no momento do pagamento, o próprio sistema bancário já separa automaticamente o valor dos tributos e repassa direto ao governo. Para a empresa, chegará só o valor líquido, já com os impostos descontados na largada.
A regra vale para o IBS e a CBS, os dois novos tributos sobre consumo criados pela reforma tributária.
Quando entra em vigor
O cronograma prevê um teste operacional com CBS e IBS em 2026, com alíquota simbólica de 1%. A implantação efetiva começa em 2027, quando a CBS entra em vigor integralmente. Entre 2029 e 2032 começa a fase de transição mais longa, quando a alíquota do ICMS cai gradualmente e a alíquota do IBS sobe na mesma proporção, com implementação total prevista para 2033.
O que muda para a fábrica de móveis
O ponto central é o capital de giro. No modelo atual, o valor dos tributos transita pela conta da empresa antes de ser recolhido, funcionando como fonte de financiamento informal. Com o split payment, esse valor nunca entra na conta, sendo direcionado automaticamente ao fisco.
Para a indústria moveleira, que tipicamente vende a prazo para lojas e produz com ciclo longo, o efeito é direto. Indústria com venda a prazo tem ciclo de fabricação longo somado a prazo de recebimento, gerando um intervalo ainda maior entre produzir e receber. Quem não calcular o impacto agora vai descobrir o tamanho do problema no segundo trimestre de 2027, quando a CBS entrar com alíquota cheia e o caixa começar a fechar diferente.
O que ainda está em aberto
A regulamentação completa segue em definição. 2027 será um ano de testes, em que empresas e Receita vão aprender juntas. O que já está claro é que o intervalo entre receber uma venda e recolher o imposto, que hoje financia parte da operação de muitas fábricas, deixa de existir. Quem mapear o impacto antes chega a 2027 com menos surpresa.



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