Reforma tributária já está em transição: o que muda para fábricas de móveis até 2033
A partir de 2026, fábricas de móveis operam com dois sistemas tributários ao mesmo tempo. Entenda o que a transição significa na prática, quais são os benefícios e onde estão os riscos.
A reforma tributária saiu do papel. Desde 1º de janeiro de 2026, a maioria das empresas passou a emitir notas fiscais com a indicação dos novos impostos, a CBS e o IBS. A cobrança efetiva ainda não começou, 2026 é um ano de testes e calibragem. Mas o sistema já está em movimento, e a transição vai até 2033.
Para quem fabrica móveis, isso significa operar com dois sistemas tributários ao mesmo tempo por até sete anos.

Como funciona a transição
O modelo atual, com PIS, Cofins, ICMS e ISS, vai sendo substituído gradualmente por dois novos tributos: a CBS, de competência federal, e o IBS, de competência de estados e municípios. O cronograma é o seguinte:
2026: fase de testes. As notas fiscais já incluem CBS e IBS, mas sem cobrança efetiva. O valor informado pode ser compensado com o PIS e Cofins já pagos.
2027: extinção do PIS e Cofins. A CBS passa a ser cobrada pela alíquota cheia. O IPI tem alíquota reduzida a zero, exceto para produtos da Zona Franca de Manaus.
2029 a 2033: transição gradual do ICMS e do ISS para o IBS. Os dois sistemas coexistem nesse período.
2033: extinção total do ICMS e do ISS. O novo sistema entra em operação plena.
O que muda para a indústria moveleira
A reforma traz dois movimentos opostos para o setor, e vale entender os dois.
O benefício estrutural. O fim do efeito cascata reduz a tributação cumulativa sobre insumos como MDF, ferragens, colas e vernizes. Quem exporta tem desoneração ampliada. Bens de capital, como máquinas e equipamentos, podem ser adquiridos com crédito integral e imediato dos novos tributos, o que favorece investimentos em modernização.
O desafio da transição. Incentivos fiscais estaduais que algumas fábricas dependem hoje começam a desaparecer gradualmente com a extinção do ICMS. Um Fundo de Compensação foi criado para mitigar esse impacto, mas sua eficácia ainda está sendo monitorada. Além disso, empresas no Simples Nacional precisam acompanhar as mudanças com atenção: o regime continua existindo, mas pode se tornar uma desvantagem competitiva em algumas cadeias de fornecimento, já que fornecedores fora do Simples geram crédito fiscal integral para seus clientes.
O que está em aberto
As alíquotas definitivas do IBS e da CBS ainda não foram fixadas. A regulamentação prática segue em construção. Para o setor moveleiro, isso significa que parte do impacto real da reforma só ficará claro à medida que os detalhes forem definidos nos próximos anos.



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