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O ticket médio sobe, o volume cai: o que está acontecendo com o varejo de móveis


O setor faturou mais em valor, mas vendeu menos peças. Em 2025, o crescimento nominal escondeu uma retração real. Em 2026, os primeiros meses confirmam que a recuperação existe, mas é lenta e desigual.

O que mostram os números

O varejo brasileiro encerrou 2025 com queda de 1% no faturamento real, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado, marcando o segundo ano consecutivo de desempenho negativo. Bens duráveis e semiduráveis foram os mais afetados, com recuo real de 2,6%.

 

No segmento de móveis especificamente, o quadro foi de heterogeneidade. O dado mais relevante do ano foi a retração de volume com estabilidade em valor. Crescimento nominal virou, muitas vezes, miragem inflacionária, enquanto o volume físico recuou, exigindo ginástica operacional e financeira de fabricantes e varejistas. Em 2026, móveis e eletrodomésticos registraram queda de 0,9% em março e de 0,1% em fevereiro na comparação mensal.

 

Por que o ticket subiu enquanto o volume caiu

Com menos volume, o varejo tentou elevar ticket por meio de produtos com maior valor agregado. A premiumização em 2025 não foi apenas tendência, foi mecanismo de sobrevivência para recompor margem.

 

O motor dessa dinâmica é o crédito. Segmentos mais sensíveis ao crédito, como móveis e eletrodomésticos, sentem mais os efeitos da taxa Selic elevada. Quem tem renda e acesso a crédito compra mais caro. Quem depende do crediário popular trava. O resultado é um setor que cresce em valor médio por peça, mas perde em quantidade de peças vendidas.

 

O caso São Paulo

São Paulo registrou retrações muito acima da média brasileira em 2025, com meses críticos como abril com queda de 29,8%, junho com queda de 32,9% e agosto com queda de 30,1%, todos na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O maior mercado consumidor do país concentra também as famílias mais endividadas e o crédito mais caro. Quando São Paulo resfria, o setor inteiro sente.

 

O que 2026 sinaliza

Para o setor de móveis e eletrodomésticos, as projeções do IDV indicam alta nominal de 6,6% em abril, 13,8% em maio e 4,8% em junho na comparação com os mesmos meses de 2025. O horizonte para 2026 tende a clarear, com juros em queda, inflação mais ancorada e uma base fraca de comparação criando condições para rebote cíclico gradual. Mas não é cenário de boom, é cenário de reconstrução.

 
 
 

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