Construção civil cresce 2,9% no primeiro trimestre e abre janela para o setor moveleiro

O setor que mais puxa a demanda por móveis populares voltou a crescer. Com lançamentos imobiliários em alta e um pipeline robusto de entregas para 2026 e 2027, a pergunta para quem fabrica móveis é: quando essa demanda chega na loja?
O que mostram os números
A construção civil cresceu 2,9% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três últimos meses de 2025, segundo dados do PIB divulgados pelo IBGE, revertendo a queda de 2,4% registrada no quarto trimestre do ano passado. O mercado de trabalho acompanhou: a construção foi o segundo setor que mais gerou empregos formais entre janeiro e abril, com 143.547 vagas criadas, o equivalente a 20,5% de todos os empregos gerados no país. Nos lançamentos, os números de 2025 chegaram a 471.769 unidades, crescimento de 13,88% em relação ao ano anterior.
A conexão com o setor moveleiro
Casa entregue é casa que precisa ser mobiliada. O ciclo entre lançamento e entrega das chaves leva em média de 18 a 22 meses, o que significa que o volume recorde de lançamentos de 2025 começa a gerar entregas ao longo de 2026 e 2027. Como o ciclo de produção da construção é longo, esses empreendimentos continuarão gerando atividade econômica ao longo dos próximos anos. Para o setor moveleiro, isso se traduz em demanda que não chega de uma vez, mas que se distribui de forma previsível no tempo.
O que ainda trava a conversão
Móvel popular é compra parcelada, e parcelamento depende de crédito acessível. Com a Selic ainda em queda gradual e o endividamento das famílias em nível elevado, a capacidade de consumo de quem recebe as chaves de um imóvel popular segue pressionada. A CBIC projeta expansão de 1,2% para o PIB da construção em 2026, o que representaria o terceiro ano consecutivo de crescimento do setor. Se o crédito ao consumidor não acompanhar no mesmo ritmo, parte dessa demanda potencial fica represada.



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