Acordo Mercosul-UE entra em vigor: o que muda para quem fabrica e vende móveis no Brasil
- Asisto
- Jun 23
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O tratado começou a valer em 1º de maio de 2026, após 26 anos de negociação. Para o setor moveleiro, a equação tem dois lados: uma janela de exportação que se abre e uma pressão de concorrência que aumenta no mercado interno.
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com redução significativa de tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao continente europeu. Juntos, os dois blocos somam mais de 700 milhões de consumidores e um PIB conjunto trilionário.
Para a indústria moveleira, o acordo chega num momento particular: o mercado norte-americano perdeu força como destino de exportação depois da taxação de 50% que esteve em vigor em 2025, e o mercado interno segue pressionado por juros altos e crédito restrito. A Europa surge como alternativa de rota.
O que muda na exportação de móveis
A tarifa média que o Brasil paga para exportar móveis ao bloco europeu, hoje em 8,7%, será reduzida gradualmente até ser zerada em dez anos. O efeito não é imediato, mas a direção é clara: quando as tarifas forem reduzidas ao longo da implementação do acordo, o móvel brasileiro tende a chegar ao comprador europeu com melhor condição de preço, abrindo espaço para aumentar volume, diversificar clientes e, principalmente, vender itens de maior valor agregado.
A União Europeia se compromete a eliminar tarifas de importação sobre aproximadamente 95% dos bens, representando 92% do valor das importações europeias de bens brasileiros, em prazos de 4, 7, 8, 10 e 12 anos.
O setor moveleiro está entre os segmentos identificados com maior potencial de ganho. A redução de tarifas e de burocracia deve aumentar o mercado para produtos brasileiros com diferenciação em design e material. Na União Europeia, os artigos com maior aderência para o Brasil se concentram em móveis de madeira, especialmente aqueles com certificação de manejo sustentável e diferenciação por marca.
O outro lado da equação
O acordo não opera numa direção só. Se no curto prazo a eliminação de tarifas favorece a exportação brasileira, no médio e longo prazo a redução gradual das barreiras para a entrada de produtos europeus no Brasil impõe ajustes. Setores industriais que operam principalmente no mercado interno passarão a competir de forma mais direta com fabricantes europeus, reconhecidos pela intensidade tecnológica e pela especialização produtiva.
Há, no entanto, um possível ganho indireto para as fábricas brasileiras: o setor moveleiro brasileiro tende a se beneficiar com a possibilidade de adquirir equipamentos de tecnologia avançada a menor custo, incrementando produtividade e capacidade de fornecimento.
O que ainda está em aberto
A implementação é provisória. O Parlamento Europeu encaminhou o texto para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, que ainda avaliará sua compatibilidade jurídica com as normas do bloco, processo que pode demorar até dois anos. A desgravação tarifária é gradual e escalonada, o que significa que os efeitos mais relevantes para o setor moveleiro vão se materializar ao longo da próxima década, não de uma vez.
O acordo abre uma janela. Se ela vai gerar mais exportação ou mais concorrência, depende de como cada operação está posicionada para aproveitá-la.



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